Nesta sexta-feira dia 2, o Rio de Janeiro passou a ser a primeira cidade da América do Sul a sediar os Jogos Olímpicos. A cidade maravilhosa conseguiu o direito de sediar as Olimpíadas de 2016, concorrendo com cidades como Madrid, Chicago e Tóquio, depois de três tentativas fracassadas e aproximadamente 180 milhões de dólares gastos nas candidaturas. Muita festa no Brasil e um discurso emocionado do nosso excelentíssimo presidente da república Luís Inácio Lula da Silva marcaram a cerimônia da disputa, que tinha de um lado um presidente orgulhoso pela conquista do seu país, e do outro uma cidade que se opunha a sediar os jogos olímpicos, o que mostrava as diferenças culturais e ideológicas entre as nações.
Enquanto o Rio de Janeiro fazia uma campanha maciça com direito a vídeo promocional, feito pelo cineasta Fernando Meireles, além do discurso patriótico de Lula, Chicago, favorita na disputa, se colocava contra a realização de uma Olimpíada. Seus habitantes, cientes dos gastos desnecessários que a realização dos Jogos Olímpicos pudessem trazer, se opuseram à campanha realizada pelo governo da cidade. Diferente de Chicago, o Rio de Janeiro trazia além do apoio da população, o apoio do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), do ex-presidente da FIFA João Havelange e de Pelé. Além, também, da mobilização patriótica da imprensa brasileira que torceu com a vitória da cidade como se estivesse numa Copa do Mundo, que, aliás, o Brasil também sediará em 2014.
A festa pela vitória do Rio de Janeiro continua, e até 2016 o Brasil falará muito sobre Olimpíadas e medalhas, só não falará qual o beneficio que isso trará para um país ainda subdesenvolvido e com problemas sociais latentes. Com a realização dos Jogos Olímpicos o Brasil gastará aproximadamente 25,9 Bilhões de dólares, gasto que poderia ser revertido em melhorias, não só no esporte, como também na educação e em outros âmbitos que tornam o país um “perdedor”. Mas o objetivo maior ao conquistar o direito de sediar as Olimpíadas é descoberto no discurso do nosso presidente: “encerrar o complexo de inferioridade do Brasil” e “melhorar o desempenho do Brasil no quadro de medalhas da competição”. E durante este período em que o país terá a chance de mostrar ao mundo a sua “competência” esportiva, os problemas sociais, tanto da cidade do Rio de Janeiro, quanto do país, serão ocultados devido à superveiculação de noticias geradas pelos meios de comunicação de massa acerca dos Jogos, o que já teve inicio agora.
O gasto desnecessário com as Olimpíadas só terá algum retorno econômico se a organização do evento não cometer os mesmos erros que cometeram os organizadores do Pan-americano, e mesmo assim o retorno virá em peso somente para as grandes redes hoteleiras do Brasil, que ainda não estão totalmente preparadas para receber os atletas. Quanto ao presidente, este entende que “não devemos pensar no quanto o Brasil vai gastar, mas no que vai ganhar”. E até lá a enxurrada de notícias sobre as novas “vitórias” do país só preencherão o quadro fabuloso da imprensa brasileira.

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